quinta-feira, 7 de junho de 2012

Quando fui Gaivota


Me vejo em teus olhos
[Te beijo]
Seus lábios parecem labirintos de tão secretos
Seu mundo não é meu mundo
E mesmo assim me sinto presa a ti.
Sou o espelho do que penso e falo.
Sou a alma que esta viva e com fome.
Com fome de descobrir o amor que tu falas sentir por mim.
Me vejo nos teus abraços quentes
Sinto-me tão segura neles!
Mesmo assim, preciso lembrar de quando eu era gaivota;
O amor não pode podar as asas
Ele tem que ser mais um estopim para o voo

sexta-feira, 1 de junho de 2012

O véio moço dormindo

Eu vi um certo alguém dormindo
Eu vi um "véio" em movimento
Não era um anjo, nem um avião,
muito menos o super-man cochilando no alto
Era o "papito" dormindo no "Bus" em pleno Corredor
E que Vitória!

sábado, 19 de maio de 2012

Guernica


Sentada perto da janela,
Tomo meu cappuccino morno.
Lembro de todas as confissões que já fiz ao Vento.
Imagino como seria bom se ele as tivesse escutado

Ao invés disso, estava dando trela pro Vácuo.
Queria saber se o Tempo pode me ouvir...

"Escutei tiros!
Você os escutou?! 
Escutei vozes de horror! 
O temor a Franco, temor ao ditador! 

Às vezes certas imagens me vêm à cabeça.
Lembro daquela cubista, aquela tela que Franco pintou com as mãos de Picasso. 
Ou será que Picasso pintou com as mãos do Franco?!
Às vezes acho que tudo que vivemos é igual.
Só muda o papel o qual nos encontramos no dado instante".

Uma vez esperei por noites a fio.
Não tive tempo para esperar pra ouvir
o Tempo me dizer que só com o tempo mesmo
para as coisas se resolverem.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Protesto!

Vejo milhões de carros passando.
Sento em minha cadeira de balanço.
Acendo meu cigarro.
Não entendo a sensação, algo me atormenta.
O cigarro agora só tem filtro.
Jogo no chão. Amaço!
Vejo-o espatifando aos meus olhos, e não tenho pena.
Os carros param.
Na rua, uma multidão vai aos poucos atrapalhando tudo.
A multidão grita! Os carros buzinam.
"Solução"

(Soluço)

Vou até a cozinha.
Bebo água.
Lavo o copo.
Ponho no escorredor.
Os carros ainda buzinam.
A multidão continua gritando, ninguém escuta!

Leio mais um cartaz.
Eles querem mudar o mundo.
Acho que é apenas mais uma massa que não conhece o poder que tem.
Gritam! Protestam! Mas não sabem lutar!

Começaram a colocar máscaras...
As buzinas cessam.
Os motoristas saem dos carros.
A multidão cresce.
E vai usando o poder que tem.
Levantei da cadeira.
Peguei minha máscara e me juntei.
Percebo que eles querem tudo que um dia disseram que a gente tinha.
Não nos deram, e nos conformamos.
Eles representam uma sociedade de ideias e ideais de um povo quase morto.

Agora eles atrapalham não só o transito,
Mas o pensar fechado de quem não consegue mais pensar

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Na Pele e na Alma

se eu soubesse que desta vez seria igual as outras
eu não teria colocado o meu melhor vestido
não teria me maquiado de forma singela
para parecer cada vez mais sua

se eu soubesse que era tão "errado" querer você para mim
eu enfrentaria, mais uma vez, o mundo
para poder olhar em seu olhos 
ter o seu abraço,
sentir o teu cheiro
como sempre fiz.

se eu soubesse que ser tua ia ser tão bom
eu teria tentado todas as vezes
mesmo sabendo que no final de tudo
a minha vida e a tua não vão estar juntas
nem pela pele, nem pela alma.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

O tropeço impulsiona...

Chora! pois talvez a lágrima seja a única escolha pra lavar a alma doentia.
E sofre, uma vez que só o sofrer pode te mostrar o caminho certo.
O ato de andar pode até ser ocasionado a partir do impulso,
Mas a quantidade desse movimento e o seu sentido é dado por um ato bem pensado.

E eu me pergunto o que eu devo fazer pra não repetir todos os erros,
Porque só no final percebo que fiz o tudo virar um nada;
Mas a resposta não vem...
Talvez só dê pra perceber o que é erro, quando faz magoar o outro.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Rosa roda

Rosa roda
Roda ao lado da roda do tempo
Tonteia-se sobre um mesmo ponto
Gira em um dado momento
Cai em linha reta
E se curva na torta
Rosa roda

domingo, 20 de novembro de 2011

"Catigoria"

Me veio discreto e humilde
Me deu sua mão e me deixou guiar
Precisava dos meus olhos e meus passos
Mal sabia ele
Que os passos que deveriam ser seguidos eram os teus
E não os meus.
Catigoria me fez ver o mundo de outra forma
Em apenas um instante de contato.
E nessa viagem só pude agradecer.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Bon appétit

Pego um pedaço de incerteza
Misturo com agonia
Derramo duas doses de impaciência
no meu coração em disritmia
Mexo com cuidado pra não desandar a massa
Acrescento umas pitadas de cegueira a gosto
Depois é só levar ao fogo
Mexer até chegar ao ponto
Mas não se esqueça:
Jamais deverá ser consumido,
e sim degustado

Bon appétit!

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Passos

Caminho descalça
Há cacos de vidro no chão
Desvio sem cuidados
Me firo sem sentir
A ferida escorre e derrama na alma
Não cura, não teme
Eu teimo em caminhar
Teimo em seguir essas linhas tortas
E, só então, percebo
Que mesmo caminhando
Em direção torta ao vento
Caminho na direção certa
A qual, assim, posso guiar a minha vida.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Lembrei de Você

Lembrei de vocês esses dias,
Em pura melancolia enquanto olhava o mar.
Lembrei de você enquanto eu admirava o luar.
No ar, minha voz insistia em gritar
Apenas: "lembrei de você!"

De um alguém que por aqui passou.
Um alguém que nem de despediu.
Mas p'ra quê despedidas se daqui ele nunca partiu?!
Ontem, hoje... Apenas lembrei de você!

sábado, 15 de outubro de 2011

Espelho

Tomei banho como se o último
Sai pelas esquinas observando tudo
Caminho em direção ao vento
[Atrapalhando o sopro

Me vejo nesse espelho
[e ele não tem reflexo
Mão e contra-mão
De uma rua sem saída

Portas e cortinas
Que se fecham
E não escuto aplausos

Meu eco é um som sem ruído
Caricatura de uma voz [sem som
Miragem de uma vista quase perfeita
[e crua

Minha imaginação
Agora é a minha própria imagem
Refletida no papel

O espelho volta a ter a essa tinta
[prata] minha
Que reflete o rosto
A alma e o gosto

Do meu próprio eu...

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Saída de emergência

Escrevo sem paciência
Preciso achar a Saída de Emergência
Tem um céu azul lá fora
Meu traseiro preso na cadeira
Minhas mãos nesse teclado
Nem quero saber o que se passa lá fora
Se o mundo já cortou seus pulsos

Preciso achar uma Saída de Emergência!
Esse céu já nem parece tão azul
Mesmo assim me atrevo a olhar pro alto
Vejo tudo tão branco
Como se eu não tivesse nada pra pensar
Cada movimento me conduz a uma falta de êxtase 

E é por isso que preciso achar
Essa Saída de emergência
Minhas mãos agora doem 
Meus olhos ardem
E o céu escureceu  
Do mundo nem sei mais...


segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Não correspondido

mas o poema se cala
a alma desfalece em um corpo
[coberto de chama
o coração palpita
olhos não podem mais ver
é mais um querer
não mais O querer
nada mais que uma só voz
essa voz que dizia "sim"
agora, a mente
mente pro mundo
Verdades de um amor


domingo, 4 de setembro de 2011

Uma nova Flor no meu jardim

Que Flor nova é essa que desabrocha nesse quintal?
São pétalas doces, macias, sensíveis ao toque
Que Flor é essa que desabrocha sem ao menos notar
Que o espaço que ela tem no mundo é maior do que os outros podem achar?
Essa Flor me tira o fôlego!
Flor travessa
Essa Maria sem vergonha!

Que Flor é essa que desabrocha nesse meu quintal?
Que desarma a minha alma,
Que me deixa sensível a qualquer toque seu?
Que Flor é essa que desabrocha e me faz notar
Que o mundo de nós, é o mundo de todos nós

Não precisa ter medo, Flor!
Venho aqui nesse jardim regar-te
Regar a chama!


Chama de mais amor...